Aspectos da prática da Terapia Ocupacional

São enquadrados para o atendimento de terapia ocupacional indivíduos ou grupos de pessoas que apresentam ou estão em risco de desenvolver disfunções que limitem a realização de atividades rotineiras na vida.

O profissional de terapia ocupacional ao avaliar seu cliente mensura o equilíbrio entre atenção simultânea, funções e estruturas do corpo com o objetivo de melhorar sua participação na vida diária. Isso resulta um alcance da saúde corporal, bem estar e participação na vida social abrangendo seu sentido mais amplo.

A terapia ocupacional facilita as interações entre cliente, seus ambientes, contextos e as ocupações as quais se envolve.(Clark et al, 2012)

Para tanto o terapeuta ocupacional esta atento a diferentes aspectos como:

  • Ocupação: são os vários tipos de atividades cotidianas nas quais indivíduos ou grupos se envolvem, incluindo AVD (atividade de vida diária), AIVD (atividades instrumentais de vida diária), descanso e sono, educação, trabalho, lazer, e participação social.
  • Fatores do cliente: valores, crenças e espiritualidade; funções do corpo; e estruturas do corpo que residem dentro do cliente e influenciam o desempenho do mesmo em suas ocupações.
  • Habilidades de desempenho: elementos observáveis de ação que têm um propósito funcional implícito; habilidades são consideradas uma classificação das ações, abrangendo múltiplas capacidades (funções do corpo e estruturas do corpo) e, quando combinadas, são a base da capacidade de participar em ocupações e atividades abordadas durante as intervenções de terapia ocupacional.  (BoytSchell,  Gillen, e Scaffa, 2014A, p 1237).
  • Contexto e ambiente: Contexto refere-se a uma variedade de condições inter-relacionadas que influenciam e cercam o cliente. O contexto inclui o âmbito cultural, pessoal e temporal. O termo ambiente refere-se às condições físicas e sociais externas que cercam o cliente e nas quais ocorrem as ocupações da vida diária do cliente.
  • Tarefas preparatórias: estas tarefas envolvem a participação ativa do cliente e, por vezes, incluem envolvimento no uso de diversos materiais para simular atividades ou componentes de ocupações.
  • Educação: compartilhar conhecimentos e informações sobre saúde, bem-estar e participação, permitindo ao cliente adquirir comportamentos úteis, hábitos e rotinas que podem ou não exigir aplicação no tempo da sessão de intervenção.
  • Treinamento: facilitar a aquisição de habilidades concretas para atender objetivos específicos em uma vida real e a situações aplicadas. Neste caso, habilidades referem-se a componentes mensuráveis de função que permitem melhora. O treinamento é diferenciado de educação por seu objetivo estar relacionado ao oferecer melhor desempenho, em oposição à melhor compreensão, embora esses objetivos, muitas vezes, andem de mãos dadas (Collins &O’Brien, 2003)
  • Relevância e importância para o cliente: Alinhamento com os objetivos, valores, crenças e necessidades e utilidade percebida do cliente.
  • Objetos usados e suas propriedades: ferramentas, materiais e equipamentos necessários no processo de realização da atividade.
  • Sequenciamento e tempo: processo necessário para a realização da atividade (por exemplo, etapas específicas, sequência de etapas, tempo requerido).
  • Ações necessárias e habilidades de desempenho: ações (habilidades motoras de desempenho, processamento e interação social) exigidas pelo cliente que são parte inerente da atividade.
  • Abordagens para intervenção: são estratégias específicas selecionadas para direcionar o processo de avaliação e plano de intervenção, seleção e implementação baseados nos resultados desejados pelo cliente, nos dados coletados na avaliação e na evidência. As abordagens estão relacionadas com os modelos de prática, quadros de referência ou com as teorias da prática.
  • Resultados: o resultado alvo é o objetivo final esperado do processo de terapia ocupacional; eles descrevem o que os clientes podem obter através da intervenção da terapia ocupacional. Os resultados são experimentados pelos clientes quando esses percebem os efeitos do envolvimento na ocupação, sendo capazes de retornar aos seus hábitos, rotinas, papéis e rituais desejados.

Logo, uma atividade para ser significativa ao cliente ou grupo de pessoas, o terapeuta ocupacional precisa conhecer as demandas da atividade proposta, a série de habilidades envolvidas em seu desempenho e os vários significados culturais que podem ser atribuídos a elas. Cada cliente estabelece uma relação terapêutica diferente e o plano de tratamento terá como base as variáveis do ambiente, do cliente, dos valores e dos desejos a serem alcançados.

A prática da terapia ocupacional enfatiza a natureza do trabalho dos seres humanos e a importância da identidade ocupacional para uma vida saudável, produtiva e satisfatória.

 

Magda Mattos

Terapeuta Ocupacional

CREFITO-3: 3530-TO

 

 

Referências Bibliográficas

BoytSchell, B. A., Gillen, G., &Scaffa, M. (2014a). Glossary. In B. A. BoytSchell, G. Gillen, & M. Scaffa (Eds.), Willard andSpackman’soccupationaltherapy (12th ed., pp. 1229– 1243). Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins.

Clark, F., Jackson, J.,Carlson, M., Chou, C. P., Cherry, B. J., Jordan-Marsh, M., Azen, S. P. (2012). Effectivenessof a lifestyleintervention in promotingthewell-beingofindependently living olderpeople: ResultsoftheWellElderly2RandomisedControlledTrial. JournalofEpidemiologyandCommunity Health, 66, 782–790. http://dx.doi.org/10.1136/jech.2009.099754

Collins, J.,& O’Brien, N. P. (2003). Greenwooddictionaryofeducation. Westport, CT: Greenwood Press.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *